Resenha: Coisas que ninguém sabe - Alessandro D'Avenia

Editora: Bertrand Brasil
Ano: 2013
Páginas: 378
Após conquistar jovens de todo o mundo com Branca como o leite, vermelha como o sangue, Alessandro D’Avenia apresenta Coisas que ninguém sabe, um livro sensível, erudito e repleto de citações literárias. Uma história que retrata o ensino médio, a adolescência e os valores do amadurecimento. Margherita tem 14 anos e está prestes a transpor um limiar mágico e assustador: o início do liceu. Os corredores da nova escola são cheios de fascínio, mas também de ameaças; no intervalo do primeiro dia de aula do ano letivo se estabelecem alianças e se emitem sentenças capazes de definir o futuro. Sozinha em seu quarto, com o sol de verão ainda sobre a pele, Margherita se sente como qualquer adolescente: uma equilibrista na corda bamba. Somente o amor dos pais, da extraordinária avó, Teresa, e do irmãozinho lhe permite caminhar sobre essa corda, mostrar-se ao mundo e tentar crescer com suas próprias forças. No entanto, um dia, Margherita ouve uma mensagem na secretária eletrônica. É de seu pai, anunciando que não voltará mais para casa. O vazio se abre sob seus pés.

Classificação:     

" As horas foram passando. Margherita relembrava os olhos azuis, quase brancos, daquele garoto, e tinha vontade de chorar. Eram lágrimas diferentes: provinham daquele pedaço de alma que, se for mantido intacto e limpo, e talvez se for ouvido, a gente salva. Só que a gente se apressa a enxugar as lágrimas. As lágrimas, um luxo que só os fracos podem se conceder." Página 54


Coisas que ninguém sabe foi o último livro que solicitei para a Bertrand Brasil  e confesso que estava bastante ansiosa, pois fiquei apaixonada por Branca como o leite, vermelha como o sangue. Alessandro D'Avenia mostra ao leitor todas as nuances da vida que podem estar sendo exploradas apenas pelo fato de viver. Não sei se me expressei bem, mas o que quero mostrar é que o autor, assim como tantos outros, nos apresenta histórias que tinham tudo para dar errado, mas a aceitação faz com que tudo aconteça de forma menos agressiva em relação aos que relutam em aceitar o que acontece em suas vidas.

Margherita, ou Mitta - para Andrea, é uma adolescente de 14 anos que está assustada com o início do liceu, o que para nós corresponde ao ensino médio. Acredito que todos os leitores já passaram por isso, ou ainda irão passar, e é o momento em que todos os medos afloram e você sabe que uma nova fase de sua vida irá começar. Logo no início da obra conhecemos uma garota frágil e que tem medo do passo importante que está para dar em sua vida e isso só se torna pior com a fuga de seu pai, ele simplesmente foi embora deixando a jovem com sua mãe e seu irmão caçula, Andrea. 

Como se não bastasse o medo gerado pelo início das aulas, Margherita precisa lidar com a ausência de seu pai e sua família aos pedaços. Para isso, ela conta com a ajuda de sua avó Teresa e começa a entender que a vida é como uma corda bamba e é preciso se equilibrar e manter-se no jogo. No liceu, Mitta conhece Marta e Giulio que a seu jeito acabam se tornando fontes de conforto para a menina. Marta vem de uma família barulhenta, mas que tem o amor a cercando. Por sua vez, Giulio foi abandonado ao nascer e guarda mágoas que o impedem de ser feliz. O professor, não é citado um nome, também é um elo de Margherita e um incentivador - mesmo que as cegas - de que a jovem embarque em uma jornada em busca de seu pai. 


" - Juntos - repetiu ele, com um eco inexpressivo.
- Juntos: você sabe, quando duas pessoas se amam, não?
- O que acontece? - fez ele, fingindo ignorância.
- Acontece que se casam, vão viver juntos, montam uma casa e a enchem de livros e... de filhos." Página 64


A narração é feita em terceira pessoa e nos dá uma visão mais ampla da história e ambientes, apresentando de forma detalhada e nada monótona as situações no desenrolar da trama. Margherita é uma jovem que evolui ao longo da leitura e ao final da obra eu torcia de forma entusiasmada por sua felicidade e o autor nos mostra que independente dos traumas que temos, com o tempo tudo se encaixa e a vida melhora. 

A capa não me agradou muito, mas também não tenho muitas considerações acerca disso. A diagramação ótima, a revisão impecável e o livro é dividido em duas grandes partes e as cenas são separadas por asteriscos facilitando para que o leitor não se perca durante a leitura. Ao ler Coisas que ninguém sabe foi impossível não comparar com Branca como o leite, vermelha como o sangue - e acredito que foi por isso que fiquei um pouquinho decepcionada, pois esperava uma leitura e capa tão boa quanto, mas não posso tirar os créditos da história encantadora de Margherita.   


" Margherita riu e, se pudesse olhar-se no espelho, talvez descobrisse que era bonita. Assim como o amor depois de uma briga, o sorriso depois de um pranto é o melhor espetáculo que uma mulher sabe exibir.
- E se ele não atender?
- Tente de novo." Página 69




6 comentários:

  1. Ainda não tinha ouvido falar desse livro nem do autor, mas só de ler sua resenha fiquei muito interessada por ele. Estou em uma fase que estou adorando ler livros que me fazem pensar e refletir, então acho que esse seria uma ótima pedida.

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  2. Ainda não conhecia nem o autor, nem essa obra e nem a outra citada. Logo, a dica foi super válida! Eu gosto desse tipo de história e no momento estou com uma de enredo parecido, por isso que não acho que é o momento ideal para ele. Mas eu já acho que vou gostar e me identificar e muito com a Margherita.

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  3. Terminei a leitura hoje. Diferente de vc, amei a capa! Ela tem a carinha da Margherita, a concha tão citada no livro, os cabelos negros... e os olhos verdes por baixo desses cílios lindos.
    Como não se apaixonar por Alessandro D'Avenia? Poético, lírico, romântico, suave e profundo ao mesmo tempo... vou engatar outro livro dele!

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  4. JÁ QUERO! Gosto de livros de conflitos adolescente tens mensagens muito boas que podemos levar pra vida.

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  5. Pela capa e a sinopse acho que não leria o livro, mas a sua resenha me deixou com uma pequena vontade de lê-lo, a estoria parece ser bem leves e com momentos com drama, com isso da garota ir procurar seu pai e tal's...

    Meu Mundo, Meu Estilo

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  6. Ainda não tive oportunidade de ler nada do autor, mas sempre leio resenhas positivas em relação aos seus livros. O que acho que encanta nos livros do D'Avenia é essa simplicidade com a qual ele escreve suas histórias. Se pararmos pra ver, as tramas não são cheias de reviravoltas ou coisas fantásticas, e é aí que percebemos o talento da narrativa do autor. Mais um que entrou na minha lista de desejados.

    @_Dom_Dom

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