Resenha: O Problema do Para Sempre - Jennifer L. Armentrout

Editora: Galera Record
Ano: 2017
Páginas: 392
Tradutor: Rachel Agavino

Mallory viveu muito tempo em silêncio. Mas o destino lhe reserva um novo desafio. E ela percebe que está na hora de encontrar a própria voz.

Já na infância, Mallory Dodge percebeu que só poderia sobreviver se ficasse calada. Teve que aprender a ficar o mais quieta possível. Aprendeu a passar despercebida. A se esconder. Mas agora, após ter sido adotada por pais amorosos e dedicados, ela precisa enfrentar um novo desafio: sobreviver ao último ano do Ensino Médio numa escola de verdade. O que Mallory não imaginava é que logo no primeiro dia de aula daria de cara com um velho amigo que não via desde criança, quando viviam juntos no abrigo. E começa a notar que não é a única que guarda cicatrizes do passado, além de uma paixão adormecida e inevitável.



Classificação:       





"A dúvida caiu sobre mim como um cobertor pesado e áspero. Eu havia chegado bem longe nos últimos quatro anos. Eu não era nada parecida com a garota que costumava ser. Sim, eu ainda tinha recaídas, mas estava mais forte do que aquela pessoa que já fora, vivendo numa bolha, não estava?" Página 21



O problema do para sempre foi um lançamento da Galera Record que me conquistou logo que bati o olho na capa, quando li a sinopse soube que queria ler a obra e conhecer um pouco mais sobre o que a protagonista Mallory Dodge tinha para mostrar aos leitores. Mesmo sem querer, acabei comparando a história com Um caso perdido, da mesma editora, mas de autoria da Colleen Hoover - e meu livro favorito desde sempre. Ambos são ótimos, apesar de mostrarem o quanto um lar disfuncional pode moldar a personalidade de uma criança que está propensa a abusos físicos e psicológicos de quem, supostamente, deveria zelar pelo seu bem estar. O problema do para sempre não conta com cenas explícitas, como é o caso do livro de Hoover, e dei graças a Deus porque não sei dizer se conseguiria ler mais alguma obra tão pesada quanto ela. 

Mallory Dodge é uma jovem adotada por médicos que cuidaram de sua recuperação após um evento traumático em sua infância. Rosa e Carl, seus pais adotivos, fazem de tudo para que ela se sinta em casa e mantenha as perspectivas de uma vida bem estruturada, faça faculdade e trabalhe com algo que eles almejavam para Marquette - a filha biológica do casal que morrera anos antes de Mallory ser adotada. Apesar disso, Mallory não é muito de se expressar, já que durante a sua infância procurava se manter longe do radar dos seus tutores, ao contrário de Rider, um garotinho que se colocava na linha de fogo para protegê-la dos ataques a que era submetida enquanto morava com a srta. Becky e o sr. Henry, um casal que só aceitou tomar conta de Mallory e Rider por causa do dinheiro que o governo lhes dava para as despesas das crianças. 

Agora, muitos anos depois, Mallory decide terminar o ensino médio em uma escola regular e se candidatar para as faculdades que seus pais haviam indicado, porém logo no primeiro dia a jovem tem uma surpresa - Rider está matriculado na mesma escola e, ao mesmo tempo que ela fica feliz com o reencontro, as feridas de sua infância que buscou tanto superar, agora estão voltando à superfície. Buscando recuperar o tempo perdido que passou longe de seu melhor amigo, Mallory reata a amizade como se não tivessem passado um dia sequer longe um do outro. Porém, agora, Rider tem uma namorada e uma vida que não agrada aos pais da jovem. Contrariando tudo o que Carl e Rosa lhe dizem, Mallory se joga de cabeça nesse reencontro, mas algumas coisas podem sair de seu controle e isso ameaça ruir todo o progresso que teve ao longo dos anos em superar a fase negra de sua infância. 


"Quatro anos. Quatro anos retirando as camadas desgastadas e danificadas. Quatro anos para desfazer dez anos de sujeira, fazendo o possível para esquecer tudo. Tudo, exceto Rider, porque ele merecia ser lembrado. Mas ele era passado - a parte boa do meu passado, mas, ainda assim, um passado do qual não queria me lembrar." Página 37



Este é um livro nada fácil de se ler, mas a história é bem conduzida pela autora - Jennifer L. Armentrout - os protagonistas são bem descritos, desde o que passaram durante a infância até mesmo o tempo em que passaram afastados. A autora soube mostrar ao leitor como o trauma durante a infância moldou as suas personalidades e criou um laço que não será facilmente desfeito. Mallory é uma protagonista que demonstra força, apesar de tudo o que passou, mas como já é apresentado na sinopse do livro - ela não é a única que foi marcada por seu passado. Rider é um jovem que tomou uma porção de decisões erradas durante a adolescência, já que não teve a mesma oportunidade de Mallory ao crescer em uma casa com muito amor, então é um jovem arredio e que não têm muita perspectiva de futuro, porém a relação com Mallory mostra ao leitor e aos protagonistas o quanto ainda têm caminho a percorrer. 

Com relação à edição o que mais me chamou atenção foi a delicadeza exposta na capa, que conta com elementos apresentados na leitura - como é o caso do coelho, - sem dúvidas essa capa é bem chamativa e alguns leitores vão ser fisgados primeiramente por ela, como foi o meu caso. A diagramação está boa, o livro é narrado em primeira pessoa (por Mallory) o que dá ao leitor a possibilidade de ir a fundo nos pensamentos da jovem, mesmo que ela não se comunique muito com as pessoas com quem convive. A revisão está boa, os capítulos são bem divididos e a narração - apesar de pesada - é fluida e não deixa pontas soltas ao longo da leitura. O único ponto que deixou a desejar na edição foi o material da capa que acabou descolando na parte inferior, não sei se foi um problema pontual - da minha edição - ou se todos os livros estão assim, mas isso não interferiu na leitura então é algo que não diminuiu a minha experiência com a obra. Para aqueles que gostam de um bom drama, que mostra como a infância pode aproximar pessoas que passam pela mesma experiência traumática e precisam enfrentar as rachaduras que isso causou em suas vidas, O problema do para sempre é uma ótima opção. 


"E talvez... talvez isso não fosse melhorar. Rider tinha dito que nada é para sempre, mas algumas coisas, algumas cicatrizes, são profundas demais para desaparecer." Página 282

Lançamentos da Intrínseca


Olá, leitores.



Na postagem de hoje vocês irão ficar por dentro dos lançamentos de Novembro da nossa parceira, Intrínseca. E por falar em coisa boa, o blog conseguiu renovar a parceria com a editora para 2018 e vamos para o quinto ano de muitas resenhas e promoções junto da Intrínseca. 



A sutil arte de ligar o f*da-se, de Mark Manson — Todos os dias, sofremos com a pressão de sermos melhores do que os outros. A pressão de que nós temos que ser um sucesso profissional, pessoal, amoroso e ainda por cima fazer isso tudo sorrindo e sem derramar uma gota de suor. Só que a verdade é que quanto mais nos importamos em vencer na vida, maior é a decepção.

Em A sutil arte de ligar o f*da-se, Mark Manson nos convida de forma hilária a abraçarmos os fracassos da vida, dar valor ao que realmente importa para você e ligar o foda-se para o resto.





Mulheres sem nome, de Martha Hall Kelly — A socialite nova-iorquina Caroline está sobrecarregada de trabalho no Consulado da França, em função da eminência da guerra. O ano é 1939 e o Exército de Hitler acaba de invadir a Polônia, onde Kasia vai deixando para trás a tranquilidade da infância conforme se envolve cada vez mais com o movimento de resistência de seu país. Distante das duas, a ambiciosa Herta tem a oportunidade de se libertar de uma vida desoladora e abraçar o sonho de se tornar médica cirurgiã, a serviço da Alemanha.

Costurado por fatos históricos e personagens femininas poderosas, Mulheres sem nome é um romance extraordinário sobre a luta de mulheres anônimas por amor e liberdade. Um livro inspirador, que traz de volta a sensação da leitura de obras como A menina que roubava livros e Toda luz que não podemos ver.


Vejo você no espaço, de Jack Cheng — Alex tem onze anos e adora o universo. Seu maior sonho é enviar seu iPod dourado para o espaço a fim de mostrar aos extraterrestres como é a vida no nosso planeta, como seu grande herói, Carl Sagan, fez 40 anos atrás.

Um livro tocante e delicioso sobre aprendermos a discernir realidade e aparências, Vejo você no espaço é uma lição de que família também se constrói e de que, com honestidade, força e amor, nos tornamos tão grandiosos quanto o universo.





Endurance: Um ano no espaço, de Scott Kelly — Veterano de quatro viagens espaciais, o astronauta americano Scott Kelly viveu experiências pelas quais pouquíssimas pessoas tiveram oportunidade de passar. Agora, depois de ficar um ano na Estação Espacial Internacional, batendo o recorde americano de dias consecutivos no espaço, ele compartilha com o leitor o desafio extremo representado pela longa permanência no espaço — tanto os aspectos mundanos, como a saudade da família e o isolamento, quanto os potencialmente mortais, como os impactos em seu corpo e as expedições fora da estação. Memórias sem precedentes de uma viagem única para Kelly e definitiva para a humanidade.




O touro Ferdinando, de Munro Leaf e Robert Lawson — Publicado originalmente em 1938, O touro Ferdinando marcou gerações no mundo todo e chega aos cinemas pelos criadores de A era do gelo e Rio em janeiro do ano que vem. O livro conta a história de um touro que, apesar de seu tamanho e sua força, não tem interesse em participar das touradas. Tudo que ele quer é cheirar as flores e ficar quietinho no seu canto, mas às vezes o mundo à nossa volta não compreende aqueles que são diferentes da maioria.










Resenha: As garotas de Corona del Mar - Rufi Thorpe

Editora: Novo Conceito
Ano: 2017
Páginas: 288

Amizade entre garotas pode ser intensa e, no caso de Mia e Lorrie Ann, não há dúvidas de que isso é verdade.

À medida que crescem, a vida de Mia e Lorrie Ann é preenchida com praia, diversão e passeios ao shopping.

Por outro lado, como toda amizade, há conflitos e dores. 

Mia e Lorrie Ann convivem há muito tempo e possuem personalidades opostas. Mia é a bad girl , vivendo em uma família problemática. Lorrie Ann é linda e amável, quase angelical, e tem uma família que parece ter sido arrancada de um conto de fadas. 

Mas, quando uma tragédia acontece, a vida perfeita sai fora de controle...



Classificação:    


"Para ser honesta, me senti insultada porque a tristeza dela parecia de alguma forma me excluir. Eu nos imaginei chorando juntas, imaginei que a confortava. Sempre compartilhamos até mesmo as menores e mais ridículas tragédias. Mas em vez disso ela estava por trás de camadas e mais camadas de vidro. Isso me deixava furiosa. Eu estava com dezessete anos; tinha uma pedra negra como coração; o que mais posso dizer? Mas a Lorrie Ann havia sofrido uma perda profunda." Página 23



As Garotas de Corona del Mar é um dos lançamentos de 2017 da Editora Novo Conceito e a obra conta grande carga dramática com o passar dos capítulos. Somos apresentados para Mia e Lorrie Ann, duas amigas com personalidades e vidas distintas que - em certo ponto da narração - acabam se afastando por causa de suas vidas.

Mia sempre invejou a vida de Lorrie Ann, acreditava que a família da amiga havia saído de um comercial de televisão e que a melhor amiga era dona de uma sorte sem precedentes. Isso começa a mudar quando Lor sofre uma perda e sua vida começa a ruir. Uma gravidez não planejada, a perda de uma pessoa importante, doenças na família e vício em drogas são apenas alguns dos assuntos abordados durante a leitura, conferindo intensidade a cada capítulo em que imergimos na vida destas amigas.

Anos depois de ter perdido o contato com a amiga, Mia têm uma vida com Franklin e tudo ia relativamente bem, até receber uma visita de Lorrie Ann e agora a enxurrada de informações sobre o passado das duas ameaça ruir a vida que Mia procurou construir ao se afastar de Corona del Mar e tudo o que este lugarzinho representava para elas. Este é um livro bastante pesado e a cada capítulo o leitor é levado a se questionar o quanto a vida das garotas mudou com o passar dos anos e todos os acontecimentos a que foram submetidas. 



"Então, minha vida tornou-se minha novamente. A narrativa envolvia apenas eu, Franklin e as maravilhas da antiga Suméria, e eu não tinha de me preocupar com minha gêmea oposta, que tinha má sorte ou estava sendo punida por pecados que eu não compreendia. Deixada sozinha, eu era mais feliz, de forma rica, profunda e silenciosa." Página 89


Comecei a leitura de As Garotas de Corona del Mar sem esperar muito já que livros com carga bastante dramática acabam surpreendendo ou me decepcionando pela forma com que o autor conduz a história e, não me entendam mal - o livro é bom, mas não é tudo o que achei que fosse. A vida de Lorrie Ann e Mia é afetada por vários acontecimentos no decorrer da amizade e ao mesmo tempo que uma busca de afastar a outra quer proximidade e vice-versa, porém a autora tratou de muitos temas complexos e essa intensidade acabou sendo demais a meu ver. Alguns personagens importantes para o desenvolvimento da trama foram deixados de lado pelas protagonistas e isso acabou me frustrando, já que gostaria saber qual fora o fim que eles tiveram. O desfecho das protagonistas é interessante e depois de tamanho sofrimento não era de se esperar que não sofressem com as consequências de suas decisões. 

Com relação à edição,  a capa representa bem a infância das protagonistas em Corona del Mar, até então uma vida sem muitas preocupações. A diagramação e a revisão estão boas, mantendo o padrão da editora em suas publicações. A leitura mostra o passado e futuro se intercalando e a cada capítulo somos jogados em uma espiral de sentimentos que a leitura nos proporciona, confesso que demorei bastante para fazer a resenha já que não sabia como me expressar, espero que tenha conseguido. Para quem gosta de livros intensos, com grande carga dramática e emocional, esta é uma dica de leitura que, sem dúvidas, irão aproveitar mais do que eu. 



"Ela ergueu o rosto e seus olhos estavam tão vazios e azuis que eu quase derrubei a xícara. Senti vergonha imediatamente. Eu era como uma criança brincando com uma boneca, tentando colocar a Lorrie Ann sentada à mesinha de chá que era a vida arruinada dela, só para poder evitar a dor de ter de admitir que era uma vida arruinada, e que a Lorrie Ann não era nada além de uma boneca estragada, um cadáver na parede." Página 148


[Sorteio] Tartarugas Até Lá Embaixo


Olá, leitores.

Para fechar com chave de ouro a Semana Especial Tartarugas Até Lá Embaixo, o blog em parceria com a Editora Intrínseca irá sortear um exemplar da obra para que um dos nossos leitores tenha a oportunidade de conhecer essa história maravilhosa criada por John Green. Animados?



Para participar você deverá deixar um comentário nesta postagem com um e-mail válido e preencher corretamente o formulário:





REGRAS GERAIS:




• Será apenas 1 ganhador; • Para concluir a opção do Facebook é necessário Curtir a página do blog;• O sorteio vai de 10/11/2017 até 30/11/2017;• Não serão aceitos perfis utilizados unicamente com fins promocionais;• É obrigatório ter endereço de entrega no Brasil;• A responsabilidade do envio do livro é da Editora Intrínseca  e nos reservamos ao direito de enviar o prêmio em até 45 dias;• O vencedor terá o prazo de 72 horas para responder ao e-mail com os dados necessários para o envio dos prêmios;• O blog não se responsabiliza por extravio, danos nos pacotes ou endereço de entrega inválido;• Em caso de dúvidas, deixe um comentário.

Conheça outros livros do John Green - Dia#4


Olá, leitores.

Continuando a Semana Especial Tartarugas Até Lá Embaixo, venho apresentar os livros do John Green que já li e resenhei aqui no blog. 


O primeiro foi A culpa é das estrelas, que tenho certeza de que todos vocês já leram ou ouviram falar sobre a história. Confesso que é o que menos gostei, acho que por ter comparado com A guardiã da minha irmã - um livro que abalou completamente meu psicológico. 




"- Você não é uma granada. Não para nós. Pensar na sua morte nos deixa tristes, Hazel, mas você não é uma granada. Você é incrível. Você não tem como saber, querida, porque nunca teve um bebê que cresceu e se tornou uma jovem leitora genial com um interesse incidental em programas de televisão detestáveis, mas a alegria que você nos dá é muito maior que a tristeza que sentimos com a sua doença."





Depois, foi a vez de ler Quem é você, Alasca? e conhecer a protagonista Alasca - a minha favorita dos livros de John Green. Ela é uma garota extremamente impulsiva e faz o que acha certo para o momento, levando muitas pessoas a não entendê-la. 




"Não sabia se deveria confiar em Alasca e não aguentava mais o seu comportamento imprevisível, fria em um dia, carinhosa em outro; irresistivelmente sedutora em um momento, teimosa e obstinada em outro. Eu preferia o Coronel: pelo menos quando ele estava estranho, tinha um motivo." 






Já no final de 2015 o filme de Cidades de Papel foi lançado e a convite da editora fui assistir em primeira mão, li a obra após assistir e sem dúvidas com relação à história esse foi o meu favorito (até ler Tartarugas Até Lá Embaixo). A escrita de John Green é fenomenal e ao narrar as aventuras que o protagonista Quentin passa para encontrar Margo e as situações nas quais se envolve são interessantes e fazem com que o leitor torça pelo casal até as últimas páginas. 




"O erro fundamental que sempre cometi - e ao qual, sejamos justos, ela sempre me conduziu - era este: Margo não era um milagre. Não era uma aventura. Nem uma coisa sofisticada e preciosa. Ela era uma garota."

RESENHA





Tenho muita vontade de ler O Teorema de Katherine, mas vou deixar mais para frente até conseguir superar Tartarugas Até Lá Embaixo. E vocês, já leram quais livros do autor? Qual é o seu favorito? Estou doida para saber. 





Semana Tartarugas até lá embaixo - Dia#3


Olá, leitores.

Hoje, no terceiro dia da Semana Especial Tartarugas até lá embaixo, a Intrínseca propôs aos parceiros debaterem sobre um assunto abordado no livro - entre eles estão TOC, amizade e romance. Porém, o tema que irei apresentar a vocês hoje é algo que está ligado à nossa geração, mas que sempre esteve por aí e era negligenciado pelas gerações passadas: o transtorno de ansiedade generalizada


Aza Holmes, a protagonista criada por John Green têm Transtorno Obsessivo Compulsivo que é uma condição ligada à ansiedade. Caso esteja falando bobeira e alguém da área da saúde saiba mais sobre o assunto, sintam-se à vontade para me corrigir. 

Decidi falar sobre a ansiedade porque é algo que convivo diariamente há 10 anos. Não sou muito de expor meus problemas para muitas pessoas, além do mais aqui no blog, mas pode ser que meu relato sirva de ajuda para quem está enfrentando problemas semelhantes. Tudo começou em 2009, quando decidi o que gostaria de fazer de graduação e comecei o cursinho preparatório enquanto trabalhava de menor aprendiz durante a tarde. Toda a pressão por decidir o que prestaria no vestibular, trabalhar, querer emagrecer (já que eu era bem gordinha) e não ter tempo para estudar, já que no programa menor aprendiz além de trabalhar o estudante é obrigado a fazer curso técnico aos finais de semana, eu estava sem tempo para nada, isso foi aumentando com o passar das semanas e culminou em um ataque de pânico no cursinho.

Nunca, em todos os meus 18 anos eu tive algo parecido, lembro que fiquei sem conseguir respirar e cheguei a diretoria sem ter noção do que estava fazendo, a minha sorte foi que a equipe docente do cursinho já era acostumada com isso e os professores me distraíram até passar. Mas depois desse dia nada foi o mesmo, tudo o que eu comia me fazia mal, perdi vinte quilos em um mês e sentia medo de voltar para o cursinho e sentir mais alguma coisa lá. O resultado disso foi que parei de ir para o cursinho, parei de trabalhar e me escondi em casa. Passei no vestibular, já que estudava durante a madrugada inteira por não ter sono e após um ano e passar em muitos médicos, fazer dezenas de exames descobri que sofria de ansiedade e com ela a síndrome do intestino irritável. 

Há dez anos faço o tratamento e posso dizer que não é fácil, alguns dias passo extremamente mal, mas tendo em vista tudo o que passei quando descobri que era mais uma nas estatísticas de jovens ansiosos, minha vida melhorou bastante. Por isso sempre digo que é muito importante procurar ajuda, eu demorei e poderia ter sido bem diferente a minha história. Hoje, faço tratamento e busco viver conforme as minhas limitações, mas tive sorte por minha mãe sempre me apoiar em tudo. 

Achei um site bem interessante sobre a TAG, caso queiram saber mais: https://hipnoseinstitute.org/transtornos-de-ansiedade/

Resenha: O outro lado do amanhecer - John Marsden (Amanhã #7)

Editora: Fundamento
Ano: 2011
Páginas: 280

Chegou o dia D. Tudo pode mudar. 

O coronel Finley tem uma missão especial para os cinco amigos: destruir outro local importante, um "centro de gravidade". 

A tarefa é das mais ambiciosas. Se Ellie, Fi, Homer, Lee e Kevin forem bem-sucedidos, vão impor uma grande derrota aos invasores. Mas, para acertar o alvo, contam apenas com a própria coragem e explosivos do exército neozelandês. 

Infelizmente para Ellie, algo dá muito errado. Ao concretizar o plano do coronel, ela se perde do grupo e se vê em um lugar terrível, cercada de pessoas odiosas, aterrorizada com a possibilidade de que descubram sua verdadeira identidade e seu papel na guerra. O pior é que seus amigos também estão encrencados, e ela nada pode fazer. 

No meio do caos, surge uma esperança. Chega a melhor notícia que todos poderiam esperar. Então a guerra finalmente acabou? Um final feliz pode mesmo estar a caminho? 

O outro lado do amanhecer é o sétimo - e último - volume da série que foi escolhida como a mais fascinante pelos jovens leitores nos EUA, na Suécia e na Austrália. Uma história que prende o leitor do início ao fim. Este livro vai ficar na sua memória para sempre.


Classificação:     

Pode conter spoilers dos volumes anteriores


"A gente tinha saído do meio das montanhas e percorria a planície, onde dava para enxergar muito longe. O perigo vinha do alto, caso o inimigo sobrevoasse a área. Por isso a gente ficava o tempo todo olhando em volta, 360 graus. Sem chance de pararmos para descansar. Se nem no Inferno a gente estava seguro, então nenhum outro lugar era seguro." Página 31


O outro lado do amanhecer é o sétimo livro da série Amanhã e a conclusão para a guerra que destruiu famílias e gerou tanto sofrimento para Ellie Linton e seus amigos. Vou recapitular a história para aqueles que começaram a acompanhar o blog agora, mas para uma melhor visão sobre a história magnífica criada por John Marsden é só conferir as resenhas publicadas sobre os livros anteriores.

Em Amanhã, quando a guerra começou - Ellie, Fi, Kevin, Lee, Homer, Robyn e Corrie programam uma viagem para um lugar conhecido como Inferno e poucas pessoas chegaram lá para contar história, ao voltar para a cidade em que moravam encontram-na completamente abandonada, estanhando o que estavam vendo os amigos começam a agir com precaução e vão ao último lugar em que sabiam que seus pais tinham ido: à Feira, organizada no dia em que viajaram. Ao chegar lá percebem que as pessoas estavam sendo mantidas de reféns e agora precisam se esconder e armar um plano para recuperar a cidade dos invasores. Porém isso era bem maior do que imaginavam e as cidades vizinhas já estavam ocupadas, a cada livro um ataque dos jovens é mostrado, agora - no desfecho da série, Ellie e os amigos que conseguiram sobreviver ao longo dos meses são levados a agir como soldados profissionais e com a ajuda do Coronel Finley e dos neozelandeses buscam um fim para tamanho sofrimento. 

Contando com o apoio dos soldados, os ataques ficam mais certeiros e organizados, sendo formas de ocultar o verdadeiro motivo deles: o Dia D; o dia em que a guerra acabaria e Ellie e seus amigos retomariam a vida anterior à guerra, mas será que isso será possível? O livro retoma o ritmo dos anteriores, muitas cenas de lutas e os ataques do grupo de Ellie estão cada vez maiores e mais perigosos, algumas vezes dão certo, outras nem tanto. Neste livro podemos ver o quanto os protagonistas evoluíram ao longo dos meses e o quanto estão abalados com tudo o que vivenciaram, os amigos que perderam e todas as batalhas pelas quais tiveram que lutar pela sobrevivência. Não vou me prolongar muito nos fatos deste livro para não correr o risco de dar spoiler, mas quem teve curiosidade em conferir a coleção: não perca tempo. 


"Comecei a ficar com medo de que ele não estivesse planejado chegar vivo ao fim da guerra. Era bem coisa do Lee: sacrificar-se feito um herói para tentar dizer com o gesto o que nunca tinha conseguido falar com as palavras." Página 86


Todos os livros da coleção de John Marsden me encantaram, a história é interessante, os personagens passam por transformações ao longo da narração e estão cada vez mais empenhados em recuperar o que os invasores lhes tiraram. A minha favorita desde o primeiro livro é a Fi, uma patricinha que acabou sendo convidada para viajar, mas que não tinha tanta interação com o grupo no começo - a não ser pelas brincadeiras que faziam com ela. Esta personagem evoluiu bastante e aos poucos se tornou meticulosa e deixou todo o seu lado frágil de lado, tornando-se uma parte essencial para os ataques programados pelo grupo. A forma com que o autor apresentou a narração, sendo escrita por Ellie ao longo do tempo e posteriormente divulgada tornou a história ainda mais real e algo que poderia acontecer com qualquer pessoa.

O livro segue o padrão dos volumes anteriores, a capa mostra Ellie sendo perseguida por um soldado - o que acontece bastante neste livro -  um elemento da história ilustra o início dos capítulos, a diagramação está boa e a revisão também, tornando a leitura fluida e sem interrupções. Este livro fechou a série Amanhã que é voltada para a invasão da Austrália e me deixou ainda mais animada em conferir a nova coleção de John Marsden, Depois de Amanhã, que apresenta aos leitores como está sendo a vida de Ellie e de seu grupo após o final da guerra, mas mesmo que esteja bem animada para continuar a leitura resolvi dar um tempo dessa história e solicitei livros bem diferentes para a Editora Fundamento, mas não fiquem tristes porque quando menos esperarem vou estar chegando com as resenhas da nova coleção para matar as saudades. 


"Odiei ter que mentir para ela, mas era questão de vida ou morte. Se descobrissem que eu estava metida no bombardeio da Baía do Sapateiro ou na explosão do aeroporto de Wirrawee, eu ia ser fuzilada, sem dúvida nenhuma. Não ia ter Dia D que me salvasse." Página 191

Personagens de Tartarugas até lá embaixo

Olá, leitores.

Como mencionei na resenha de Tartarugas até lá embaixo, a Editora Intrínseca organizou com os parceiros a Semana Especial dedicada ao livro recentemente lançado e de autoria do John Green. O blog não podia deixar de participar, não é?

Na postagem de hoje irei falar sobre um dos personagens desta obra maravilhosa, mais especificamente da protagonista Aza Holmes. Durante a leitura o autor trabalha com assuntos bem delicados de se tratar, sendo um deles a condição mental de Aza - uma jovem que sofre com transtorno de ansiedade e TOC - estes distúrbios possuem controle, mas não existe uma cura para tal condição. 

A verossimilhança da narração de John Green é inexplicável e como leitora fiquei impressionada com a protagonista, já que podíamos perceber todas as nuances de sua condição mental - já que o autor fez questão de mostrar aos leitores como funciona a cabeça de uma pessoa com ansiedade e TOC. Isso só foi possível por ele ter essa condição, e só fui descobrir isso ao ler os agradecimentos ao final do livro. 

Aza Holmes luta diariamente para manter-se sã, ou melhor, o mais normal possível, sendo que seus impulsos a mandam trocar um band-aid de seu dedo o mais frequente possível ou até mesmo beber álcool em gel. Sim, para uma pessoa "normal" isso é absurdo, mas garanto que para a protagonista isso faz todo sentido. 

Não sou boa de transformar os personagens em pessoas reais, porém ao assistir Arrow percebi que a atriz Madison McLaughlin daria uma ótima Aza Holmes. O que acham? 




"- O problema dos finais felizes é que ou não são realmente felizes, ou não são realmente finais, sabe? Na vida real, algumas coisas melhoram e outras pioram. E aí a gente morre." Página 258

Resenha: Tartarugas Até Lá Embaixo - John Green


Editora: Intrínseca
Ano: 2017
Páginas: 256



Depois de seis anos, milhões de livros vendidos, dois filmes de sucesso e uma legião de fãs apaixonados ao redor do mundo, John Green, autor do inesquecível A culpa é das estrelas, lança o mais pessoal de todos os seus romances: Tartarugas até lá embaixo.

A história acompanha a jornada de Aza Holmes, uma menina de 16 anos que sai em busca de um bilionário misteriosamente desaparecido – quem encontrá-lo receberá uma polpuda recompensa em dinheiro – enquanto lida com o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC).

Repleto de referências da vida do autor – entre elas, a tão marcada paixão pela cultura pop e o TOC, transtorno mental que o afeta desde a infância –, Tartarugas até lá embaixo tem tudo o que fez de John Green um dos mais queridos autores contemporâneos. Um livro incrível, recheado de frases sublinháveis, que fala de amizades duradouras e reencontros inesperados, fan-fics de Star Wars e – por que não? – peculiares répteis neozelandeses.


Classificação:       




"Naquela noite, enquanto eu jantava com minha mãe na frente da TV, continuei pensando sobre o caso. E se eles realmente nos dessem uma recompensa? Sem dúvida era uma informação útil que a polícia não tinha. Talvez Davis passasse a me odiar - se algum dia descobrisse -, mas será que não era bobagem me importar com o que um garoto qualquer do Camping da Depressão pensava de mim?" Página 77


Tartarugas Até Lá Embaixo é um dos últimos lançamentos da Intrínseca e a editora enviou um kit de divulgação da obra para os parceiros e, assim como em outras ocasiões, o blog está participando da Semana Especial que desta vez é com foco no lançamento de John Green.

Confesso que o autor não é um dos meus favoritos e apesar de ter gostado bastante de Quem é você, Alasca? não havia me conectado com nenhuma de suas obras até agora, porém Tartarugas Até Lá Embaixo mudou a minha opinião sobre ele e esta obra por ser tão pessoal acabou me deixando ainda mais impressionada com a narração, já que Green abordou de uma forma delicada sobre distúrbios mentais, mas ao mesmo tempo deu material para os leitores pensarem e se questionarem sobre o que é apresentado durante a leitura.

Aza Holmes é uma garota de dezesseis anos, após a morte acidental de seu pai é jogada em seus pensamentos mais obscuros, vive com a mãe - uma professora que vive em função do bem-estar da jovem. Quando sua melhor amiga Daisy descobre que uma recompensa será dada a quem ajudar a polícia a encontrar um homem rico que está foragido, as garotas se aproximam de Davis - o filho do desaparecido, que frequentou um acampamento com Aza anos atrás -. Apesar de fazer tratamento para sua ansiedade, Aza se questiona se os remédios não a estão transformando em outra pessoa e frequentemente se vê como apenas um personagem em sua vida, seus pensamentos surgem em um turbilhão e nada em sua vida faz sentido. 

Por outro lado, Daisy e Davis buscam compreender o que Aza sente e a forma como se expressa, porém é visto que a única pessoa que acompanha o que a jovem sente é a sua mãe, dando-lhe forças para enfrentar o que se passa em seus pensamentos. O livro é interessante porque além de ter a história acerca do desaparecimento de Russell Pickett, o autor dá margem para os leitores entenderem o que se passa na cabeça de uma garota que não consegue controlar seus impulsos e por mais que tente não pode ter uma vida normal, como é o caso de Davis, Daisy e até mesmo a própria mãe da protagonista. Este é um livro que irá conquistar os leitores que lutam contra doenças mentais e mostrar aos que não as têm a importância de oferecer suporte e não julgar aqueles que convivem diariamente com um distúrbio. 


"Eu queria dizer a ela que estava melhorando, porque essa é a narrativa esperada quando se trata de doenças: um obstáculo que você superou, uma batalha que venceu. Doença é uma história contada no pretérito." Página 85



John Green fez um belíssimo trabalho em Tartarugas Até Lá Embaixo e como leitora não esperava muito da leitura, já que apesar de ter lido inúmeros livros que tratam de distúrbios mentais, nenhum conseguiu me convencer, porém ao finalizar a leitura encontrei nos agradecimentos algo que clareou meus pensamentos: o autor sofre do mesmo mal que a protagonista, por isso o relato parece ser tão real. Como uma pessoa que batalha diariamente contra a ansiedade, vi em Tartarugas Até Lá Embaixo um relato de superação e a forma com que a protagonista enfrentou os altos e baixos da vida mostraram que há sim esperança para todas as situações, por mais que as coisas pareçam não ter saída. 

Tudo neste livro se conecta, desde a capa com a espiral até o nome que só será apresentado ao leitor quase ao final do livro, mas que fará total sentido considerando a obra como um todo. A diagramação está ótima e o livro trabalha bastante com mensagens de celular, estas que estão dispostas em evidência, os capítulos são curtos e bem divididos - tornando a leitura ainda mais fluida. A obra é bem curtinha, li em apenas um dia, mas é brilhante. Sem dúvida este é um dos melhores livros que li em 2017 e tenho certeza que uma bela ressaca literária está por vir, já que duvido que encontrarei um livro tão bom quanto Tartarugas Até Lá Embaixo em um futuro próximo. 



"Eu sentia a tensão no ar e sabia que ele estava tentando descobrir como me deixar feliz de novo. O cérebro dele girava alucinadamente junto com o meu. Eu não conseguia me fazer feliz, mas conseguia fazer as pessoas ao meu redor infelizes." Página 150