Resenha: Os 13 Porquês - Jay Asher

Editora: Ática
Ano: 2009
Páginas: 256

Ao voltar da escola, Clay Jensen encontra na porta de casa um misterioso pacote com seu nome. Dentro, ele descobre várias fitas cassetes. O garoto ouve as gravações e se dá conta de que elas foram feitas por Hannah Baker, uma colega de classe e antiga paquera, que cometeu suicídio duas semanas atrás. Nas fitas, Hannah explica que existem treze motivos que a levaram à decisão de se matar. Clay é um desses motivos. Agora ele precisa ouvir tudo até o fim para descobrir como contribuiu para esse trágico acontecimento.

Classificação:       




"As fitas do suicídio de Hannah Baker estão passando de mão em mão. Alguém fez uma cópia e me mandou só para me zoar. Amanhã, na escola, quando me virem, alguém vai rir, ou dar um sorrisinho malicioso e desviar o olhar. Aí eu vou saber.
E então? O que vou fazer?
Não sei." Página 15



Todos vocês já devem estar saturados de Os 13 Porquês, mas esse livro estava na minha lista de desejados há bastante tempo e quando vi que haveria a série, aproveitei para comprá-lo na promoção do Dia da Mulher da Saraiva - já que por causa da adaptação jogaram o preço do livro lá para o alto. Quando recebi, não hesitei em passá-lo para a preferência de leituras e devorei em dois dias, apesar de dar algum tempo entre os capítulos mais tensos, para poder absorver melhor a história e não ficar neurótica com a mensagem que a obra passa.

O livro trata de assuntos delicados como, por exemplo, bullying, discriminação, suicídio e abuso sexual. Então não é uma leitura fácil, mas é extremamente interessante para entender o que se passa na cabeça de uma adolescente com problemas em todas as áreas de sua vida. Hannah, à princípio, parece uma adolescente normal, tem seu trabalho, seus amigos e uma família bem construída, porém com a mudança de uma de suas amigas tudo começa a ruir. Ela se envolve com pessoas erradas, passa por problemas na escola, está totalmente desacreditada da vida e decide dar um fim ao seu sofrimento, mas antes grava fitas contando Os 13 Porquês da sua decisão e dá aos motivos uma simples tarefa: escutar as fitas e passar ao próximo. Caso não o façam, uma pessoa está com o segundo jogo de fitas e levará ao conhecimento de todos o que aconteceu com a jovem. 

Não vou me estender muito na história por causa dos spoilers, já que qualquer coisa nessa história é considerada spoiler pela maioria, mas é uma obra que deveria ser lida por todos. A história é bem amarrada e mostra aos leitores o poder que suas palavras e ações podem ter na vida das pessoas com quem convivem. Assim como as ações dos conhecidos de Hannah fossem motivos para que ela finalmente decidisse acabar com sua própria vida. 



" Aí, então, perceba que você está fazendo tempestade em copo d´água. Perceba como você se tornou mesquinha. Pode parecer que você não consegue se encaixar nessa cidade. Pode parecer que, toda vez que alguém lhe dá a mão para você levantar, a pessoa larga e você escorrega mais para o fundo. Mas você tem de parar de ser pessimista, Hannah, e aprender a confiar nas pessoas à sua volta.
Então eu faço isso. Mais uma vez." Página 125




O livro é narrado por Clay Jensen, um garoto que conviveu um pouco com Hannah por causa de seu trabalho no cinema e desde o início não entende o motivo pelo qual ele a matou. Essa é uma leitura difícil porque atualmente o número de jovens que acabam se suicidando está crescendo à proporções assustadoras, hoje mesmo vi a notícia de duas meninas  de 16 anos que se mataram, então é importante que essa leitura seja indispensável durante a formação dos adolescentes e, ao contrário do que muitos dizem, esse livro e até mesmo a série não romantizam o suicídio e não colocam isso como uma opção plausível, muito pelo contrário, mostram como isso mudou completamente a vida dos que ficaram - pais, Clay, comunidade em geral. 

O importante é ter em mente que você precisa estar preparado para ler ou assistir a série, pois não é uma história fácil e existem vários gatilhos durante a trama que podem agravar pensamentos pessimistas e/ou depressivos. Por isso demorei um pouco a leitura e assisti os episódios com calma, pois é algo bastante difícil de acompanhar. O livro até é mais tranquilo nesse sentido, mas a série é desesperadora já que os produtores não quiseram que fosse algo fáil de assistir, mas sim algo incômodo e que fizesse os telespectadores pensassem em suas atitudes. Para não ficar algo repetitivo, não vou fazer uma postagem sobre a série, mas definitivamente é algo que recomendo.

Sobre os aspectos editoriais não tenho ressalvas, a capa ilustra bem a história criada por Jay Asher. Os capítulos são bem divididos e foi usado itálico para as frases de Hannah, tornando mais fácil a interpretação do Clay escutando as fitas, a diagramação está ótima, assim como a revisão, então isso só contribui para a minha avaliação da obra que, sem dúvidas, entrou para os meus favoritos logo nos primeiros capítulos. 



"Vocês não sabem o que estava se passando no resto da minha vida. Em casa. Nem mesmo na escola. Não sabem o que se passa na vida de ninguém, a não ser na de vocês. E quando estragam alguma parte da vida de uma pessoa, não estão estragando apenas aquela parte. Infelizmente, não dá para ser tão preciso ou seletivo. Quando você estraga uma parte da vida de alguém,você estraga a vida inteira da pessoa. 
Tudo... é afetado." Página 172



2 comentários:

  1. Eu queria saber mais sobre a história do livro, se é baseado em fatos reais mesmo, se o autor conheceu a pessoa, mas não achei nada sobre esses detalhes.

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  2. Rafa!
    O livro e a série estão revolucinando e não é sem motivo, porque tratar de tema como deprressão e suicídio, é bem pesado e deve mesmo ser discutido.
    Gostaria de ler e assistir.
    Bom feriado e um mês abençoado!
    “Muitas palavras não indicam necessariamente muita sabedoria.” (Tales de Mileto)
    cheirinhos
    Rudy

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