Editora: Intrínseca
Ano: 2017
Páginas: 304
Tradutor: Alexandre Martins
Ao longo dos anos, Jean Taylor deixou de contar muitas coisas sobre o terrível crime que o marido era suspeito de ter cometido. Ela estava muito ocupada sendo a esposa perfeita, permanecendo ao lado do homem com quem casara enquanto convivia com os olhares acusadores e as ameaças anônimas.
No entanto, após um acidente cheio de enigmas, o marido está morto, e Jean não precisa mais representar esse papel. Não há mais motivo para ficar calada. As pessoas querem ouvir o que ela tem a dizer, querem saber como era viver com aquele homem. E ela pode contar para eles que havia alguns segredos. Afinal, segredos são a matéria que contamina (ou preserva) todo casamento.
Narrado das perspectivas de Jean Taylor, a viúva, do detetive Bob Sparkes, chefe da investigação, cuja carreira é posta em xeque pelo caso, e da repórter Kate Waters, a mais habilidosa dos jornalistas que estão atrás da verdade, o romance de Fiona Barton é um tributo aos profissionais que nunca deixam uma história, ou um caso, escapar, mesmo que ela já esteja encerrada.
Classificação:

"Glen teria um ataque; Mesmo antes de toda a coisa da polícia, ele gostava de privacidade. Vivemos nessa casa por anos - toda a nossa vida de casados -, mas, como os vizinhos contaram, felizes da vida, à imprensa, éramos muito reservados. É o que os vizinhos sempre dizem quando cadáveres ou crianças maltratadas são encontrados na casa ao lado, não é? Mas no nosso caso era verdade." Página 38
Desde a divulgação do lançamento de A Viúva estou querendo conferir a obra e logo que os parceiros foram avisados da disponibilidade para resenhas, não hesitei em solicitar. A Intrínseca está investindo bastante em thrillers e estou nas nuvens, já que este é um dos meus gêneros favoritos e desde pequena tenho certa fascinação por esse tipo de história.
Nesta obra somos apresentados ao casal Glen e Jean Taylor, inicialmente há uma breve contextualização por parte da viúva, mas logo uma nova personagem se junta aos protagonistas - Kate Waters, uma jornalista que está bastante motivada em conseguir um depoimento da viúva.
O motivo de tudo isso? Glen Taylor foi investigado alguns anos antes como sendo o principal suspeito do desaparecimento de uma criança, mas na época não conseguiram provas suficientes para a sua condenação. Desde então o casal vivia recluso e, aos poucos, outras notícias ficaram nos meios de comunicação dando um espaço para que eles pudessem se recuperar da atenção extrema após o desaparecimento da pequena.
Pouco depois da morte de Glen, sua mulher decide contar a verdade sobre o marido e a jornalista se aproveita disso para conseguir uma matéria que firmaria seu nome no meio. Bob Sparks é o detetive que investigava o desaparecimento de Bella Elliott, mas esse caso segue sem um desfecho. Porém, agora, com as declarações de Jean Taylor todos poderão ter ideia do que se passou com a garotinha, ou não. Um thriller emocionante, envolvente e surpreendente que me fez passar uma noite acordada para que pudesse terminar a leitura e desvendar os mistérios que envolvem a vida dessa viúva que agora está livre para contar a sua versão do que aconteceu.
Os capítulos são divididos de acordo com o narrador - a viúva, a repórter, o detetive - precedidos da data, pois é a história do antes (2006/2007) e o agora (2010). A única que narra em primeira pessoa é a viúva, mas essa forma funcionou para mim porque o leitor pode ter uma visão além da dela sobre o desenrolar dos acontecimentos, mas como sugere o nome da obra esse livro é focado exclusivamente no que ela sabe, ou acha que sabe, sobre o seu marido e o que possivelmente ele fez. Dawn Elliott é uma personagem que também é importante para a narração e traz o drama ao conhecimento dos leitores, buscando desvendar o que aconteceu com sua filha.
Como já mencionei anteriormente aqui no blog, acompanhei o caso da Madeleine McCann desde o começo - fiz até meu TCC sobre os livros desse caso -, então A Viúva acabou retornando à minha memória tudo o que li sobre o desaparecimento da menina britânica, devido à semelhança com a história desse thriller, mas ao contrário do caso real, nessa história de suspense temos o desfecho.
Definitivamente este é um livro bem escrito, que me prendeu do início ao final. A narração de Fiona Barton é gostosa de ser esmiuçada e nada ficou sem uma conclusão, a história é bem amarrada e os personagens bem construídos e explorados para o desenvolvimento da trama. A edição ficou muito interessante, a capa toda preta e que mostra ao leitor uma cena que ele encontrará durante a leitura, a diagramação e revisão estão ótimas, assim como a divisão de capítulos. Esse livro é perfeito em todos os sentidos, história surpreendente, personagens interessantes e projeto gráfico impecável, sem dúvida uma das melhores leituras desse ano.
"Acho que na verdade não olhamos o rosto das pessoas, apenas seus perfis. Claro que no momento em que olhei para ela de fato soube quem era. Dawn Elliott. A mãe. De pé ali com os idiotas do Herald, incitando-a e acusando o meu Glen, que foi considerado inocente. Isso não é certo. Não é justo." Página 202
Rafa!
ResponderExcluirGosto muito dos thrilles psicológicos e aqui parece que o enredo é bem desenvolvido e toda verdade vem através dos relatos de uma viúva para a jornalista.
Bom saber que tem um desfecho plausível, ao contrário do desfecho do caso Madeleine McCann .
Boa Páscoa!
“A sabedoria começa na reflexão.” (Sócrates)
cheirinhos
Rudy
http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
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