Resenha: Tudo o que nunca contei - Celeste Ng

Editora: Intrínseca
Ano: 2017
Páginas: 304
Tradutor: Julia Sobral Campos

Na manhã de um dia de primavera de 1977, Lydia Lee não aparece para tomar café. Mais tarde, seu corpo é encontrado em um lago de uma cidade em que ela e sua família sino-americana nunca se adaptaram muito bem.
Quem ou o que fez com que Lydia — uma estudante promissora de 16 anos, adorada pelos pais e que com frequência podia ser ouvida conversando alegremente ao telefone — fugisse de casa e se aventurasse em um bote tarde da noite, mesmo tendo pavor de água e sem saber nadar? À medida que a polícia tenta desvendar o caso do desaparecimento, os familiares de Lydia descobrem que mal a conheciam. E a resposta surpreendente também está muito abaixo da superfície.
Conforme analisa e expõe os segredos da família Lee — os sonhos que deram lugar às decepções, as inseguranças omitidas, as traições e os arrependimentos —, Celeste Ng desenvolve um romance sobre as diversas formas com que pais, filhos e irmãos podem falhar em compreender uns aos outros e talvez até a si mesmos. Uma uma observação precisa e dolorosa do fardo que as expectativas da família representam e da necessidade de pertencimento. Um romance que explora isolamento, sucesso, questões de raça, gênero, família e identidade e permanece com o leitor bem depois de virada a última página.

Classificação:      



"Marilyn, sem saber que a filha mais nova está ouvindo com tanta atenção, tanto anseio, enxuga as lágrimas e devolve os diários à estante, fazendo uma promessa a si mesma. Vai descobrir o que aconteceu com Lydia. Vai descobrir quem é o responsável. Vai descobrir o que deu errado." Página 79


Tudo o que nunca contei é um dos lançamentos de janeiro da nossa parceira, Intrínseca, e é um livro que me chamou bastante atenção já que adoro leituras que envolvem mistérios familiares. Na obra escrita por Celeste Ng, o leitor é apresentado para a família Lee - cujos seus membros são deixados à margem na cidade em que moram por causa de sua descendência chinesa. Marilyn é uma dona de casa que teve todos os seus planos frustrados por causa de uma gravidez não planejada em que teve de deixar a faculdade e seus sonhos de se tornar uma médica de lado para cumprir com os deveres maternais. Por outro lado, James é um professor realizado em sua vida e que cuida da casa e dos filhos com zelo e na esperança de que as crianças sejam bem-sucedidas em tudo o que quiserem fazer.

Quando Lydia, a filha do meio, desaparece na calada da noite seus pais não entendem o que pode ter acontecido já que a filha é, segundo eles, uma garota normal, estudiosa e com vários amigos. Pouco depois de anunciar o desaparecimento da garota, ela é encontrada no fundo do rio que costumava ir quando criança, mas que nunca entrava porque tinha medo da água. Os pais começam a investigar com as amigas de Lydia seus últimos passos, porém descobrem o pior - que sua filha não tinha amigos e criou uma vida fantasiosa para mostrar à família o quanto era popular e entrosada com as pessoas da sua idade. É neste momento que a fundação do lar, até então perfeito, começa a ruir. Os irmãos de Lydia vivendo à sombra da irmã morta, o pai procurando afeto fora de casa e a mãe percebendo o quanto falhou com a própria filha ao fazer com que ela realizasse os sonhos que Marilyn fora obrigada a abandonar. 


"No instante seguinte, soube que aquilo não mudaria nada. Ainda sentia o chão instável sob seus pés. Até na ausência de Lydia, o mundo não se equilibraria. Ele, os pais e suas vidas girariam em torno da lacuna deixada por ela. Seriam sugados para o vácuo que ficaria em seu lugar." Página 156


Tudo o que nunca contei mostra de forma dolorosa o quanto uma morte pode afetar o sustentáculo de uma família já que todos começam a perceber o quanto a pessoa era diferente do que imaginavam, sejam pais, irmãos ou até mesmo amigos. A forma com que Lydia enganou a todos com relação à vida descomplicada que levava, sempre estudiosa e cercada de amigos foi algo que teve ligação ao seu fim. Os problemas começam vir à superfície e a família precisa encarar a morte da filha como sendo consequência dos seus atos, sendo assim - analisando de forma fria - os pais tiveram culpa no desaparecimento de Lydia, como já nos mostra a sinopse do livro.

Esta foi uma leitura difícil já que todos podem ver Lydia como um reflexo da sua adolescência, pois as inseguranças e desejos de um futuro brilhante devem ter atrapalhado o presente em determinado ponto da vida dos leitores. A narrativa de Celeste Ng explora conflitos familiares, romance e mistério envolvendo a vida dos Lee que só será explicado nas páginas finais, então paciência meu caro leitor. Mas não desista, este é um livro excelente.


A capa é simples e que remete aos diários da adolescente morta - que têm importância durante o desenrolar da história. A diagramação é também simples, mas cumpre seu papel, assim como a revisão bem-feita que ajudam a tornar a leitura fluida e intrigante para os leitores. O final é interessante - e me surpreendeu de certa forma, mas tornou a história ainda mais verossímil. Sem dúvidas uma boa leitura com a história bem estruturada, personagens intrigantes e um desfecho sem igual.


"Não pensou nem mesmo na expressão chocada e ansiosa de Nath quando descobrisse onde ela estivera. Ao olhar para o lago ali fora, ela não tinha como saber que dali a três meses estaria em seu fundo." Página 196





6 comentários:

  1. Rafa, eu gosto muito de livros desse tipo, que tem como pano de fundo algo misterioso, secreto, mas que expõe temas familiares complexos. Acho que reflete muito da nossa sociedade algumas vezes. Você indica o livro e por ter gostado tanto da leitura, eu fiquei com vontade de ler também.
    Bjos!

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  2. Olá !
    Mistérios familiares não são meus tipos de livros favoritos !!
    Mas esse parece ser incrível . .. .
    Fiquei curiosa com o sumiço da Lydia e saber como vai terminar o livro ..

    Bjo

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  3. Eu achei que fosse um suspense, não sabia que tinha também uma grande pegada de drama. Livros que também envolvem relações familiares sempre me chamam atenção porque eles sempre nos trazem reflexões. Gostei do enredo e fiquei com vontade de ler.
    Beijos!

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  4. Rafa!
    Difícil ver os filhos 'pagarem' pelos erros dos pais, ainda mais em uma sociedade tão fechada como a China.
    Viver uma vida dupla, por passar uma boa imagem aos pais e não ter na realidade nenhuma amiga, deve ter sido um choque e daí, poderemos ver os segredos guardados pela família.
    Deve ser um bom livro.
    “Não saber é o que torna nossa vida possível.” (Lya Luft)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE JULHO 3 livros, 3 ganhadores, participem.
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

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  5. Ainda não tinha lido nenhuma resenha desse livro e me surpreendeu, esperava uma história totalmente diferente, gosto de livros que tratam a questão das dificuldades da adolescência e como uma família aparentemente perfeita quase sempre não é perfeita, fiquei com uma vontade enorme de ler o livro e espero poder fazer isso em breve.
    Beijos!

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  6. E difícil não ler sua resenha e não sentir empatia por esta família, porque imagino que se culpam pela desaparecimento da personagem, e por isso já quero saber o que a levou a este caminho, e quais foram os atos cometidos por quem estava a sua volta, e não percebeu os problemas enfrentador por ela. Quero muito adquirir este livro, para começar logo a me envolver neste mistério.

    Participe do TOP COMENTARISTA de Julho, para participar e concorrer aos livros "O Casal que mora ao lado" e "Paris para um e outros contos".
    http://petalasdeliberdade.blogspot.com.br/

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