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13 novembro 2018

Resenha: A Forma da Água - Guillermo del Toro e Daniel Kraus

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Editora: Intrínseca
Ano: 2018
Páginas: 352

Richard Strickland é um oficial do governo dos Estados Unidos enviado à Amazônia para capturar um ser mítico e misterioso cujos poderes inimagináveis seriam utilizados para aumentar a potência militar do país, em plena Guerra Fria. Dezessete meses depois, o homem enfim retorna à pátria, levando consigo o deus Brânquia, o deus de guelras, um homem-peixe que representa para Strickland a selvageria, a insipidez, o calor — o homem que ele próprio se tornou, e quem detesta ser. 

Para Elisa Esposito, uma das faxineiras do centro de pesquisas para o qual o deus Brânquia é levado, a criatura representa a esperança, a salvação para sua vida sem graça cercada de silêncio e invisibilidade. Richard e Elisa travam uma batalha tácita e perigosa. Enquanto para um o homem-peixe é só objeto a ser dissecado, subjugado e exterminado, para a outra ele é um amigo, um companheiro que a escuta quando ninguém mais o faz, alguém cuja existência deve ser preservada.

Mistura bem dosada de conto de fadas, terror e suspense, A Forma da água traz o estilo inconfundível e marcante de Guillermo del Toro, numa narrativa que se expande nas brilhantes ilustrações de James Jean e no filme homônimo, vencedor do Leão de Ouro em 2017. Uma história cinematográfica e atemporal sobre um homem e seus traumas, uma mulher e sua solidão, e o deus que muda para sempre essas duas vidas.


Classificação:    



"A desvantagem da vida recém-descoberta de Hoffsteler era  uma nova ingenuidade. A Occam não tinha interesse em solucionar mistérios relativos a diferentes tipos de existência. A empresa buscava a mesma coisa que Mihalkov: aplicações militares e aeroespaciais." Página 145


A Forma da Água é um livro de autoria de Guillermo del Toro e Daniel Kraus, lançado no Brasil pela Editora Intrínseca. Fiz a solicitação para avaliação porque fiquei intrigada com a sinopse, a capa me chamou atenção e a divulgação do filme também foi levada em consideração, já que a história estava na mídia havia algum tempo. Demorei um pouco para iniciar a leitura e acabei demorando para terminá-lo já que a história é densa e tive que dar uma pausa algumas vezes para refrescar a mente. O livro conta com poucos diálogos e muito texto, o que se torna um pouquinho cansativo e a leitura acaba ficando mais lenta. 

O livro nos mostra a história de Elisa Espósito, uma jovem que viveu à margem da sociedade desde muito pequena, é órfã e muda, morou até os 18 anos em orfanatos e quando teve a sua liberdade - uma muda de roupa e alguns trocados - descobriu um lugar para morar, um pequeno apartamento no andar superior ao cinema Arcade. Uma década depois, Eliza tem uma vida tranquila e  trabalha no período noturno como faxineira da Occan, porém tudo muda quando a sala F1 aparece em sua rota de limpeza. Lá ela tem contato com o novo projeto, em um tanque ela descobre o Deus Brânquia, um ser mítico que foi retirado da Amazônia para ser alvo de pesquisa para aplicações militares. 

De outro lado, o livro nos apresenta Richard Strickland, o homem que foi enviado para efetuar a captura do homem-peixe e ficou mais de um ano na floresta a sua procura. Neste tempo o homem perdeu seus companheiros, sua família e parte de sua humanidade na busca, ao voltar com o Deus Brânquia para os Estados Unidos, ele faz parte do grupo de pesquisadores que estão investigando as aplicações do ser para beneficiar o governo, porém sua pesquisa poder estar com os dias contados à partir do momento em que Elisa Espósito é designada para  a limpeza da sala F1. 

A Forma da Água é um livro impactante e com uma forte crítica social, porém estava com bastante expectativa para a leitura e acabei achando cansativa a forma com que a história foi apresentada. Elisa é uma personagem forte e conta com a ajuda de amigos para concluir o plano de resgatar o Deus Brânquia, já Richard é seu oposto, extremamente ambicioso o homem passa por cima de tudo e todos para conseguir o que deseja. O desfecho é ótimo, realmente um ponto positivo para a história, e acabou me deixando animada para conferir o filme. Sobre a edição só tenho elogios, a capa ilustra bem o que encontraremos durante a leitura, a divisão da história é feita em quatro partes e os capítulos são curtos, facilitando as pausas durante a leitura. A diagramação está ótima e há ainda algumas ilustrações da história para aguçar ainda mais a imaginação dos leitores. Para os leitores que gostam de ficção científica, esta obra é uma boa pedida, para mim, por outro lado, foi uma leitura um tanto arrastada, mas pretendo relê-lo em outro momento e ver se mudo de opinião. 


"Não, ele não é um animal, é uma pessoa. Elisa tem certeza disso, e Giles fica feliz em concordar. Para completar, a criatura é arrebatadora, um bilhão de pedras preciosas cintilantes moldadas em forma de homem por um artista de brilhantismo superior ao de Giles." Página 261



23 maio 2017

Resenha: O Terceiro Testamento - Christopher Galt

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Editora: Jangada
Ano: 2017
Páginas: 416

O mundo parece estar enlouquecendo!

Em toda parte, as pessoas começam a ter visões. Um adolescente francês assiste Joana D'Arc ser queimada na fogueira, e até tenta tirar uma foto com o celular, e a presidente dos Estados Unidos tem visões de seus antecessores dentro da Casa Branca. Ninguém sabe se essas misteriosas aparições são uma espécie de alucinação coletiva, uma doença virótica causada por bioterrorismo ou se são sinais do Apocalipse. Ocorrem suicídios em massa em várias partes do mundo, e o psiquiatra e neurocientista John Macbeth, à frente de um projeto para criar uma inteligência artificial autônoma, busca freneticamente uma resposta antes que seja tarde demais. Ele descobre que a verdade por trás de tudo pode mudar os rumos da humanidade para sempre. E até custar a sua vida. Uma história eletrizante que o fará questionar sua perspectiva da realidade. E até mesmo a sua sanidade.

Classificação:     


"O que quer que houvesse sucedido, não importava a causa, Boston fora sacudida em todos os sentidos: Macbeth percebia isso nas ruas por onde andava, nos rostos ansiosos e confusos dos transeuntes.
A pergunta de todos era: por que Boston?
Então, relatos do mundo inteiro começaram a chegar." Página 154



O Terceiro Testamento é um thriller de ficção científica, um gênero que não tenho costume de ler, mas solicitei para a editora porque a sinopse me deixou curiosa para conferir a história. Como nos é apresentado, o mundo está sofrendo com alucinações coletivas, pessoas visualizam cenas em que há um tremor, estão pegando fogo dentre tantas outras situações há mortos e feridos, porém nada físico que comprove o que todos passam. O cientista John Macbeth começa a investigar o que está acontecendo e percebe que esta condição está afetando pessoas de todas as idades por todo o mundo, ao presenciar um suicídio, ele começa a juntar os pontos e quer descobrir o que está acontecendo. 

Ao perceber que pessoas de seu passado acabaram cometendo suicídio, Macbeth se envolve com mais afinco nas buscas já que todas as possibilidades passaram por sua cabeça desde uma doença até o Apocalipse. Quando seu irmão descobre fatos que estão sendo mantidos à margem, Macbeth começa a firmar suas teorias, mas tudo pode mudar. Confesso que comecei a leitura extremamente empolgada para conhecer essa história e, sim, ela é diferente de tudo o que já tive oportunidade de ler e não estou falando que isso seja ruim. 

Os capítulos são curtos e de acordo com os personagens que são introduzidos à história, alguns retornam, outros não. Várias possibilidades são exploradas e deixam o leitor cada vez mais perdido em seus pensamentos de teoria da conspiração e se o Apocalipse está próximo, o que torna a leitura bem intrigante, mas bastante arrastada. Por se tratar de ficção científica, acabei um pouco perdida nessas terminologias e demais informações médicas que são inseridas na história que, apesar de serem explicadas, deixaram a leitura lenta. 


"- Ontem à noite, meu marido me trouxe uma xícara de café em meu escritório - disse Margaret Freeman, que tinha permanecido em silêncio até o momento. - Meu marido morreu há três anos, doutor Macbeth. Todos nesta sala tiveram percepções suspeitas na última semana. Se for um vírus, todos estamos infectados." Página 195


O Terceiro Testamento foi publicado pela Editora Jangada e escrito por Cristopher Galt - pseudônimo de Craig Russel, é um dos últimos lançamentos e aquele que mais me chamou atenção para a leitura. Como mencionei anteriormente não tenho familiaridade com o gênero, mas resolvi arriscar e não me arrependi. A história é intrigante, os personagens são abalados psicologicamente e sofrem fisicamente por isso, as teorias são muitas e quando você acha que descobriu, vem o epílogo e joga tudo isso nos ares. 

Gostei bastante da capa já que ela ilustra bem o foco da história das alucinações coletivas e toda a histeria por elas provocada. As páginas são amareladas e ajudam a não cansar muito a visão, porém as letras são pequenas e o livro é extenso - o que torna a leitura um tanto cansativa e pesada. A diagramação está boa, mas achei alguns errinhos na revisão. Para quem gosta de livros de ficção científica, acredito que este seja O Livro, no meu caso tive uma boa experiência com a leitura, sem dúvidas, e pretendo reler mais para frente para ver se absorvo melhor a história, já que é uma trama intrigante do início ao fim. 


"Visões. Visões não podem ferir ninguém. Visões não são reais. Mas aquela coisa à sua frente, embora inacreditável, era tão real quanto qualquer outra com que já houvesse se deparado na vida." Página 235